sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Eu sei que vou ser coroado rei de mim

Preciso que me estendam uma mão, que seja excessivamente humana. Que tenha paciencia para me ensinar o mundo e seja sábio o bastante para me ensinar como se é amada, e o que acontece quando o amor toca a vida. Surgem minhas milhões de possibilidades, me lanço naquela impossível de racionalizar, simplismente por não ser mais pensante que sensível. Esquecer quem sou, seria irremediável, por que seria forte. Um ser excessivamente humano, mas demasiado forte. Provocaria o impossível em mim, porém necessário para suportar a palavra que não devia ser dita, a mentira que passa a ser verdade, e a verdade que fere e maltrata. Os sinais surgem, e esperam o meu compreendimento. Esperam uma mudança drástica: uma mudança de ser, de olhar e de não me enganar. As memórias que um dia foram guardadas, se desfazem dando espaço a um vazio, um sentimento novo, que nunca desejei que chegasse até a mim, mas o tempo fez que me tocasse. Não tem mais volta, e nem quero voltar. Já fui atingida profundamente pela realidade.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Eu trocaria a eternidade por essa noite

Lembro-me de uma noite que foi a nossa. A primeira de tantas únicas. Única. Seus olhos devoravam muito mais que sorriam. As bocas não se calavam por puro vício de expressar o impossível de ser dito. Pele. À flor da pele. Me recordo de peles que se encontravam e se entendiam através da voracidade: o encontro perfeito. Onde os corpos se enchiam de toda forma que poderia ser o amor. O silêncio não podia ser tocado, pois as vozes falavam sem pensar, o que os ouvidos desejavam escutar. Todos os sentidos se desejavam. E naquele céu, que era o meu, estrelas pareciam desabar sobre mim, porque eu era. Eu era o luar. Era a única luz capaz de iluminar aquela noite. Já que seus olhos ao invés de iluminar, devoraram o que era luz.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Fez-se mar

E como quem decide qualquer coisa sem importância, resolvi te buscar. Sem pudores. Fui sem pensar no retrocesso ou no incômodo que me causaria. Só sei que precisava ir: tudo ou nada. Trata-se de inventar a sua presença. Precisava desatar o nó na garganta, para fortalecer outros laços. Porquê? quem é que sabe...Na verdade, nem sei os danos que desejei causar em mim. Talvez, quis sentir saudades daquele tempo. Onde tudo estava em minhas mãos, e eu nem sabia. Fui te buscar nas palavras mais distantes, tão minhas, tão amadas, tão perfeitamente tatuadas em minha memória. Na memória mais viva do coração. Pois reviver é mais forte que viver. Quando decidi te reviver um mar de água e sal invadiu os meus olhos, levando tudo de mim, levando tudo que veio, mas não chegou a ser. Tudo é mar em meus olhos. Tudo é nada, desde que você se foi.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?




Eu era o seu peão, o seu bicho preferido.

Meu mundo e nada mais,

Quando eu fui ferido
Vi tudo mudar
Das verdades
Que eu sabia...

Só sobraram restos
Que eu não esqueci
Toda aquela paz
Que eu tinha...

Eu que tinha tudo
Hoje estou mudo
Estou mudado
À meia-noite, à meia luz
Pensando!
Daria tudo, por um modo
De esquecer...

Eu queria tanto
Estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz
Sonhando!
Daria tudo, por meu mundo
E nada mais...

Não estou bem certo
Que ainda vou sorrir
Sem um travo de amargura...

Como ser mais livre
Como ser capaz
De enxergar um novo dia...

Eu que tinha tudo
Hoje estou mudo
Estou mudado
À meia-noite, à meia luz
Pensando!
Daria tudo, por um modo
De esquecer...

Eu queria tanto
Estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz
Sonhando!
Daria tudo, por meu mundo
E nada mais...




Guilherme Arantes.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Deixa o acaso

Em uma dessas noites que tem mais estrelas no mundo, você apareceu. No dia em que eu te quis, mas não te esperava. Não encontro nada nessas esquinas que se compare. Nada que seja tão diferente de mim, como você. Silêncio. Não consigo emitir os seus sons, por pura incompatibilidade de tons. Por pura gritante diferença de expressões e vozes. Eu sou um, você é o dois. Você é o par e eu sou o ímpar. Eu sou o quase tudo, mas você consegue ser tudo de uma vez só. E isso me impressiona. O que me chega de uma maneira completamente estranha, é o que eu ainda não lhe disse. Não disse porque você me fez entender o que eu nem sabia. Você não me fez triste por sequer um segundo. Nessa sua pluralidade, existem coisas que eu nunca vou ser. E na sua singularidade, existem coisas que eu nunca seria cômica o suficiente para fazê-la original. Sei que você pode me fazer chorar quando quiser. Chorar de tanto rir de toda essa besteira que é a vida. A vida que sempre aconteceu ao meu redor, e que você me mostra me fazendo rir com toda a minha vontade. Você levou tudo de ruim nesse tempo que se passou, devolvendo essa coisa toda minha, pela qual se quer viver. Quis os meus delírios de volta, as minhas sedes sem fim. Tum tum tum: alguma coisa grita por dentro. Pulsa pulsa pulsa forte. Desejo outras mãos. Sinto medo. Sinto alegria. Sinto um afeto, que ainda não consigo compreender. Sinto um cheiro de salvação de corpo e alma. Minhas mãos ficaram trêmulas, você viu. Já me conhece o bastante para saber como me sinto, e o quanto me faz sentir. Me sentir importante de todas as maneiras, que nunca fui antes. Não uma importância qualquer, uma importância que me faltava para se viver de verdade. Me encontro em qualquer ângulo que você pare para ver o mundo, embora termos olhares diferentes, conseguimos enxergar todo esse mundo à nossa volta da mesma forma. Pode dizer que eu sou a flor mais bonita que apareceu no seu jardim. Tudo se aquece por dentro... Levantou-se o sol do meu coração. Que seja doce.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

''E se perguntassem o que vem a ser o certo, Gabriela olharia com a cabeça torta como a de um cachorro quando parece não compreender o que se passa. O olhar de repente vidrado de quem tem sede de entender as coisas que acontecem ao redor. Ela não sabia amar, talvez. Então mais um amor havia ido embora, mais um amor havia chegado ao fim. Nessa imensa individualidade onde ninguém podia entristecê-la sempre cresciam espinhos. Espinhos para machucar aqueles que a machucavam, então assim não a tocavam. Não tocava porque o medo da mágoa não deixava que lhe tocassem, ou então havia medo porque não haviam tocado fundo o suficiente para que o medo não existisse. Que triste então estava sendo, mas Gabriela parecia acostumada. Acostumada e fria porque depois de tantas lágrimas, ela finalmente parecia ter secado. A maquiagem borrada em volta dos olhos tinha sido limpa na noite anterior. Quando Antônio e ela se encontraram; ela parecia inteira. Inteira porque não tinha ficado nada dela para trás. Seus olhos eram de desilusão, de cansaço. Cansada de construir sonhos, planos, fantasias. E depois da desilusão ter de destruir uma a uma, como se nada daquilo tivesse um dia existido, só para olhar para trás e não sentir nada do que sentira antes. Era mais um fim doído, choroso, arrastado. Fosse o ponto final sua última lágrima de dor, já havia então sido decretado. Decretado num discurso mudo, num adeus em silêncio. Dito através de tudo daquilo que não havia sido falado. Antônio não parecia prestes a dizer nada. Gabriela não diria; se pudesse escolher, teria ficado calada, mas lhe escapou: “Meu coração tá ferido de amar errado. De amar demais, de querer demais, de viver demais. Amar, querer e viver tanto que tudo o mais em volta parece pouco. Seu amor, comparado ao meu, é pouco. Muito pouco. Mas você não vê. Não vê, não enxerga, não sente. Não sente porque não me faz sentir, não enxerga porque não quer. A mulher louca que sempre fui por você, e que mesmo tão cheia de defeitos sempre foi sua. Sempre fui só sua. Sempre quis ser só sua. Sempre te quis só meu. E você, cego de orgulho bobo, surdo de estupidez, nunca notou. Nunca notou que mulheres como eu não são fáceis de se ter; são como flores difíceis de cultivar. Flores que você precisa sempre cuidar, mas que homens que gostam de praticidade não conseguem. Homens que gostam das coisas simples. Eu não sou simples, nunca fui. Mas sempre quis ser sua. Você, meu homem, é que não soube cuidar. E nessa de cuidar, vou cuidar de mim. De mim, do meu coração e dessa minha mania de amar demais, de querer demais, de esperar demais. Dessa minha mania tão boba de amar errado. Seja feliz.”